Ajuda
Parâmetros, diagnóstico de fixação e convenções de datum, fuso e horário usadas no SIGFix.
Parâmetros de processamento
Estes campos são enviados ao motor RTKLIB em um arquivo de configuração. Quando um parâmetro é ignorado pelo motor, o painel de ambiguidade mostra um aviso — nesse caso a solução saiu com o valor padrão, não com o que você escolheu.
- Modo de fixação (AR)
- Modo de fixação de ambiguidades. 'Fixo e mantido' trava a ambiguidade após a fixação (melhor em estático); 'contínuo' recalcula a cada época (indicado para cinemático e drone); 'desligado' entrega só solução flutuante.
- Ratio mínimo
- Razão mínima entre o segundo melhor e o melhor conjunto de ambiguidades para aceitar a fixação. Valores comuns: 2,0 a 3,0. Aumentar reduz fixações falsas, mas diminui a proporção de épocas fixas.
- Máscara de elevação
- Máscara de elevação: satélites abaixo desse ângulo são descartados. 10° a 15° é o usual — abaixo disso entram sinais com muito multicaminho.
- Elevação mínima para fixar
- Elevação mínima para que um satélite participe da fixação de ambiguidade. Costuma ser igual ou um pouco maior que a máscara de elevação.
- Máscara SNR
- Máscara de relação sinal/ruído. Descarta observações fracas, mas valores altos (30 dBHz ou mais) eliminam quase tudo em receptores de drone e podem zerar a solução — no SIGFix ela vem desligada (0).
- Ionosfera
- Tratamento da ionosfera. Em linhas de base curtas (até ~10 km) 'transmitida' basta; acima disso a combinação livre de ionosfera exige dupla frequência.
- Troposfera
- Tratamento da troposfera. O modelo de Saastamoinen atende a maioria dos casos; estimar o atraso é útil em sessões longas e grandes diferenças de altitude.
- Idade máxima da correção
- Idade máxima da correção da base, em segundos. Épocas com correção mais antiga que isso não são processadas — útil quando há falhas na base.
- Exclusão de satélites
- Lista de satélites excluídos (ex.: G05, R12). Use quando um satélite específico estiver degradando a solução.
- Frequências
- Frequências usadas. Duas ou mais frequências permitem fixar ambiguidades em linhas de base longas; L1 apenas funciona bem só em bases curtas.
- Antena da base
- Altura e tipo de antena da base. Um erro aqui desloca todo o levantamento verticalmente na mesma medida.
- Constelações
- Constelações habilitadas no cálculo. Mantenha apenas as que existem nos dois arquivos (base e rover); processar só GPS reduz bastante o número de satélites comuns.
- Posição da base (ref pos)
- Posição da base usada como referência. No modo automático o motor lê o APPROX POSITION XYZ do cabeçalho RINEX; se a solução sair com 'ref pos 0, 0, 0', a base não foi reconhecida e nenhuma época é resolvida — informe a coordenada manualmente.
Como interpretar o diagnóstico de fixação
Depois de processar, o SIGFix analisa a solução e lista o que provavelmente impediu a fixação. Leia sempre na ordem: dados de entrada primeiro, parâmetros depois.
- Proporção de épocas fixas
- Acima de 90% o levantamento é confiável. Entre 30% e 90% avalie recortar o período com obstrução. Abaixo de 30%, trate como flutuante e investigue os itens seguintes antes de usar a coordenada.
- Ratio médio
- Ratio médio abaixo do limiar configurado indica que a geometria ou a qualidade dos sinais não sustenta a fixação. Baixar o limiar aumenta as fixações, mas parte delas pode ser falsa.
- Linha de base
- Distância entre base e rover. Acima de ~20 km a fixação exige dupla frequência e sessão mais longa; acima de ~50 km espere solução flutuante na maior parte do tempo.
- Sobreposição temporal
- Só existem soluções nas épocas em que base e rover observaram ao mesmo tempo. Pouca sobreposição costuma vir de arquivo de base do dia ou da hora errada.
- Taxa de amostragem
- Se a base grava a cada 15 s e o rover a cada 1 s, só as épocas coincidentes entram. Em PPK de drone isso reduz drasticamente a precisão dos disparos.
- Satélites comuns
- Menos de 5 satélites comuns impede a fixação. Verifique se base e rover têm as mesmas constelações habilitadas e se o arquivo de navegação foi carregado.
- Tudo flutuante
- Quando nenhuma época fixa, a causa mais comum é: só L1, base distante, máscara SNR/elevação alta demais, ou parâmetro de AR desligado. O painel de ambiguidade avisa quando o motor ignorou um parâmetro.
Fuso horário, fuso UTM e datum
A maior parte dos erros de coordenada não vem do processamento e sim da referência escolhida na hora de exportar.
- Horário sempre em UTC
- Arquivos RINEX e soluções .pos usam UTC (ou GPST). As tabelas do SIGFix exibem UTC; no Brasil, subtraia 3 horas para o horário local. Não corrija o arquivo — corrija a leitura.
- Fuso UTM correto
- O fuso vem da longitude: fuso = parte inteira de ((longitude + 180) / 6) + 1. Usar o fuso vizinho desloca a coordenada em centenas de quilômetros. O seletor de CRS avisa quando o fuso não combina com os pontos processados.
- Hemisfério
- No hemisfério sul o Norte UTM já inclui o falso norte de 10.000.000 m. Um valor em torno de 8.000.000 m no sul é normal; valores pequenos indicam CRS do hemisfério errado.
- Um só datum do começo ao fim
- O CRS escolhido na ferramenta vale para o mapa, a tabela, os arquivos exportados e o relatório PDF. No Brasil, use SIRGAS 2000 (EPSG:4674 ou a zona UTM correspondente); WGS 84 é compatível na prática, mas registre qual foi usado.
- Altura elipsoidal x ortométrica
- O processamento entrega altura elipsoidal (h). Para altitude ortométrica é preciso aplicar a ondulação geoidal (MAPGEO no Brasil) — o SIGFix não faz essa conversão.
Formatos aceitos na ingestão
O SIGFix prepara os arquivos no próprio navegador antes de processar e mostra, em notas, tudo o que fez com cada arquivo.
- RINEX 2 e 3
- Observação (.YYo, .obs, .rnx) e navegação (.YYn, .YYg, .nav, .sp3). O tipo é identificado pelo cabeçalho, não só pela extensão.
- Hatanaka (CRINEX)
- Arquivos .YYd e .crx da RBMC são descomprimidos automaticamente (CRINEX 1 e 3) e viram observação legível pelo motor.
- Compactados
- .gz, .zip, .Z (compress do Unix) e .tar.gz, inclusive aninhados até quatro níveis. De um pacote da RBMC, observação e navegação são aproveitadas juntas.
- Notas de preparação
- Cada linha do log mostra o que foi extraído ou descomprimido. Se algo não for reconhecido, a mensagem indica o arquivo e o motivo.
- Arquivos grandes
- Acima de 4 MB a descompactação roda em segundo plano para a interface não travar; o progresso aparece no log.
Glossário
Termos que aparecem nas tabelas, no mapa e no relatório em PDF.
- Fixo (Q1)
- Ambiguidades resolvidas como número inteiro. Precisão centimétrica.
- Flutuante (Q2)
- Ambiguidades estimadas como número real. Precisão decimétrica a métrica.
- DGPS / Single (Q4, Q5)
- Soluções de código, com precisão métrica. Não servem para levantamento topográfico.
- Ratio
- Indicador de confiança da fixação: quanto maior, mais distante o melhor conjunto de ambiguidades está do segundo melhor.
- PDOP
- Qualidade da geometria dos satélites. Abaixo de 3 é bom; acima de 6 a solução perde confiabilidade.
- σ H / σ V
- Desvios-padrão horizontal e vertical estimados da época, em metros.
- PPK
- Pós-processamento cinemático: a correção é aplicada depois da coleta, usando os arquivos da base.
- PPP
- Posicionamento por ponto preciso: dispensa base, mas exige órbitas/relógios precisos e sessões longas.